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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

o grito claro

de escadas insubmissas
de fechaduras alerta
de chaves submersas
e roucos subterrâneos
onde a esperança enlouqueceu
de notas dissonantes
dum grito de loucura
de toda a matéria escura
sufocada e contraída
nasce o grito claro

António Ramos Rosa, Antologia Poética

segunda-feira, 18 de março de 2013

sobre a raíz

nunca há só uma, pois não? raíz, quero dizer. eu tenho várias. vão crescendo em mim e brotando quando menos se esperam, envoltas num misto qualquer de saudade cigana, nómada, daqui e dali. não têm sequer assentado, talvez nem precisem, antes têm vagueado.

há cerca de um ano atrás, em Siena, no congresso dos Giovani Democratici, lembro-me de duas pessoas terem subido ao palanque para relembrar outros dois camaradas, sicilianos ambos, de quem tinham perdido o rasto, porque a eles lhes cortaram abruptamente as raízes. assim, sem mais, retirados à força de onde tinham acidentalmente nascido. levaram-nos sob protecção policial para longe da sua ilha. a "cosa nostra", que não é de mais ninguém a não ser dos próprios, considerou-os incómodos e ameaçou a sua ligação à terra e à vida. e assim partiram, sem deixar nova morada, sem poder olhar para trás, levando apenas na memória o que também lhes deu identidade, o sítio onde lhes assentaram os arraiais. o fim de linha das opções de quem se vê obrigado a preservar a sua vida no anonimato de uma nova vida é um drama sem comparação, cujas marcas não se apagam nem com a erosão do tempo. perduram como perdura toda a injustiça até que o homem e a mulher, não o tempo, se encarreguem de a eliminar. e esta, em particular, teima em persistir na história, apoiada nos ombros irredutíveis do medo.

em portugal cortam-se raízes de outra forma, mas com a mesma força implacável. empurra-se devagarinho até que elas se soltam e se esvaem. e, mesmo que o salto para esta realidade seja do tamanho dos mares que separam a Sicília deste nosso atlântico, este sentimento de perda persiste em mim, persiste em aproximar a dor de uma com a dor da outra. veio-me este sentimento de uma conversa com o Hugo, uma das muitas, como sempre, consciência que se desperta. dizia-me ele, o Hugo, que dos amigos mais próximos, foram quase uma dezena que partiram. quebraram-nas porque o peso delas os fazia vergar. e as árvores, como os homens e as mulheres, nasceram para estar direitas. esse peso, da falta de oportunidades, dos salários desproporcionais, da miséria que se incrosta no corpo faminto, do desemprego, do desespero, do desânimo, do descrédito, esse peso, dizia, é de tal forma insuportável que obriga a desfazer esperanças e a arrumá-las numa mala de viagem. os sonhos comprimem-se, bem apertadinhos, para caberem todos, ficando sempre de fora aquele que mais se almejava, o de se cumprir Portugal. desses amigos ficam as memórias e as visitas ocasionais, as dores partilhadas de uma ausência sentida todos os dias, os abraços que se apertam na esperança que durem mais, sem que se aguentem até ao próximo reencontro. raízes que se agarram desesperadamente, com a força que cresce nos dentes, que quem não se sente escorraçado não é filho de boa gente. triste dura sina de quem não se vê ter bom destino. triste duro país que devasta raízes como se de uma inevitabilidade se tratasse. triste dura sorte esta de a Grândola ecoar bem alto na voz de um povo para se depositar, do outro lado, num coração que não a sabe escutar. triste duro fado.

dos amigos do Hugo, eu sou um deles. e os abraços nunca me chegam.

domingo, 2 de dezembro de 2012

sobre nós

"muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo." muitos anos depois, também nós vamos recordar este tempo, este mesmo, que agora nos vemos incapazes de prender com as nossas próprias mãos. este tempo que é já história feita por nós, pelas mesmas mãos que não o conseguem segurar. tempo feio, frio, escuro e obscuro e opaco; tão opaco como brumas que se erguem como muros impenetráveis, inquebráveis, imperscrutáveis, entrelaçados por números e mais números e mais números, sem face nem alma, perdidos na sua origem, acumulados em forma de milhões e biliões e triliões de interesses; interesses triunfantes, como os porcos do Orwell, e os outros, que nos esmagam e nos estilhaçam, que nos trespassam e despedaçam, indiferentes ao fluir do sangue que jorram à sua passagem. e as nossas mãos? mudam elas o tempo ou enrugam incoscientemente, impotentes e inoperantes, contrárias à natureza que as criou, logo elas, moldadas para trabalhar e talhar o que sem elas permaneceria imutável? que fatalidade inevitável seria a imutabilidade, sem elas, as mãos; essas mãos, aquelas mãos. quais? aquelas da Ilíada e da Odisseia, essas d'Os Lusíadas e do Quixote, aquelas dos prelúdios e fugas, essas das sonatas e as dos nocturnos, as mãos que se heterenomizaram, as mãos do Pessoa, fragmentos de luz num cristal; as mãos do Zeca. do Zeca? sim, as mãos do Zeca. não era a voz? se fosse a voz como é que ele podia penetrar no meu peito e contrair o meu coração até que ele se torna tão apertado que só lhe resta explodir num grito, num clamor de justiça, uníssono com o mundo, urlando e bombeando sangue, suor e lágrimas e raiva e revolta? não, o Zeca cantava com as mãos dele, pedindo as nossas.

muitos anos depois, mesmo muitos anos depois, depois de nós, depois dos nossos depois de nós e até depois dos deles dos nossos depois de nós, vão lembrar-se deste tempo, deste tempo que de gelo não é porque fascínio não tem, mas que com ele se parece na frieza, na aspereza e na dureza com que nos queima. não pode ser de gelo este tempo porque neste tempo, não como no gelo, as partículas separam-se, quebram-se, dividem-se, dividem-nos. Onde está a "cidade | sem muros nem ameias | gente igual por dentro | gente igual por fora | onde a folha da palma | afaga a cantaria | cidade do homem | não do lobo, mas irmão | capital da alegria || braço que dormes | nos braços do rio | toma o fruto da terra | é teu a ti o deves | lança o teu desafio || homem que olhas nos olhos | que não negas | o sorriso, a palavra forte e justa | homem para quem | o nada disto custa | será que existe | lá para os lados do oriente | este rio, este rumo, esta gaivota | que outro fumo deverei seguir | na minha rota?" quando foi que deixámos de lutar pela utopia e nos entregámos à fatalidade do choque, da crise, da oportunidade, da crise que cria o choque que gera a oportunidade?

por entre este meio, navegamos nós com a incerteza, peso constante sobre os ombros e na cabeça. alteram-se, novamente, as relações de trabalho, na lengalenga da dialéctica dos detentores do aparelho produtivo e da força de trabalho, malandros uns e outros, fascistas imperialistas aqueles, marxistas grevistas estes. como diria o Zé Mário, companheiro camarada do Zeca, "somos todos, ou anti-comunistas ou anti-fascistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá" e no caminho esquecemos o único ismo que importa, o do humano. quando foi mesmo que esquecemos o caminho que percorremos, que nos esquecemos que somos gregos desde que nascemos até ao momento em que morremos e que lá pelo meio existe uma longa e duradoura catarse a que chamamos vida. esquecemos que da grécia importámos - em linguagem mercantilista, de fácil compreensão - tudo aquilo que hoje perpetuamos na Ακαδήμεια; sim, a academia. quem tornou a solidariedade um produto do situacionismo, quem transformou em objecto a mais plena das palavras, uma arma à espera de uma oportunidade para ser utilizada, em vez de praticada todos os dias? quem silenciou os deuses quando Atenas ardia e Europa assistia impávida e serena, ou correndo num frenesim para salvar os seus filhos predilectos, hiper-activos e de risco, de valor superior a qualquer cidadão, dos antigos ou dos modernos.

porque não fazemos como Ferreira Gullar, que sabia que "a cidade não está no homem | do mesmo modo que em suas | quitandas praças e ruas"? porque a ele não nos juntamos no clamor límpido do seu poema sujo "e também rastejais comigo | pelos túneis das noites clandestinas | sob o céu constelado do país | entre fulgor e lepra | debaixo de lençóis de lama e de terror | vos esgueirais comigo, mesas velhas, | armários obsoletos gavetas perfumadas de passado, | dobrais comigo as esquinas do susto | e esperais esperais | que o dia venha"? porque capitalizámos os valores e lhes atribuímos números, preços, cifras? porque não realizamos - assim mesmo, tal como no Brasil - que "o homem é um ser cultural, porque a essência dele é a cultura e os valores" e que o sentido da vida é o outro? que grilhetas tão fortes nos aprisionam que nos impedem de estender a mão fraternalmente a quem dela precisa quando a nossa mão é tudo o que de nós precisam? façamos a história que queremos que contem de nós, porque dela hoje somos parte, livres de grilhetas e prisões, sem cedências éticas e morais, sem preço nos nossos valores, seguindo o sentido da vida.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

sobre a insuficiência

Sobre estas duras, cavernosas fragas,
Que o marinho furor vai carcomendo,
Me estão negras paixões n’alma fervendo
Como fervem no pego as crespas vagas:

Razão feroz, o coração me indagas,
De meus erros a sombra esclarecendo,
E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo
De agudas ânsias venenosas chagas:

Cego a meus males, surdo a teu reclamo,
Mil objetos de horror co’a idéia eu corro,
Solto gemidos, lágrimas derramo:

Razão, de que me serve o teu socorro?
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;
Dizes-me que sossegue, eu peno, eu morro.

Insuficiência dos ditames da razão contra o poder do amor, Bocage

assim, só assim





Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

simplesmente zeca

23 de fevereiro de 1987, faz hoje 25 anos. há precisamente 25 anos atrás faltavam 2 dias para completar 2 meses de existência. o Zeca deixou-nos e os meus pais deixaram-me, pela primeira vez, para irem até Setúbal, ao seu funeral. ainda bem que o fizeram.

cresci com as suas músicas, as músicas do Zeca; nas viagens de carro, com aquelas pequenas cassetes que nos acompanharam durante várias horas. decorei-as todas, uma a uma, Grândola, Vila Morena à cabeça, gosto e gesto revolucionário acompanhado por uma voz, a minha, que nunca nasceu para cantar. o Zeca fez de nós livres; libertou-nos da única maneira que é possível, tornando-nos conscientes. e nós, eu, ganhámos consciência do que fomos, do que somos e do que podemos ser. o Zeca fez bem a Portugal e sem ele seríamos, certamente, menos do que aquilo que somos.

eu ganhei consciência com o Zeca e hoje sou mais livre.

viva Zeca, viva sempre.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

sobre a inteligência

gostava que, no meu tempo de vida, houvesse alguém que crescesse para se tornar nisto. não me importa se é homem, mulher, preto, branco, amarelo ou vermelho. mas crescei e sede assim.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

seis anos para uma vida


tinha onze anos quando entrei para esta escola. Escola Secundária Alfredo da Silva, assim, sem mais; não era preciso. o nome tinha tudo e representava, como representa, talvez ainda mais hoje que então, a essência do que é ser barreirense, do factor mais agregador que a nossa cidade nos oferece e que mais nos identifica. senti aqui o Barreiro, Lisboa, Portugal, a Europa e o mundo, como Alfredo da Silva também sentiu e fez sentir. vêm visitar a nossa cidade e começo “esta é a Av. Alfredo da Silva, esta é a estátua do Alfredo da Silva e esta é a escola Alfredo da Silva, a escola onde eu andei quando era pequenino”. uma imprecisão que merece correção, porque eu, que sempre fui grande, entrei pequenino para sair de lá muito maior.

aprendi a igualdade e aprendi a liberdade; e aprendi que só há igualdade e liberdade na escola e pela escola. aprendi que a escola pública é a oportunidade que a vida nos oferece de equilibrar a balança das (des)igualdades e percebi que a Escola Secundária Alfredo da Silva é uma escola pública e nunca deixará que alguém diga o contrário; porque aqui, quem cá ensina, sabe libertar as gentes, sabe desamarrar as grilhetas do jugo da ignorância.

foi aqui que ganhei os meus grandes companheiros de viagem, aqueles com quem ainda hoje tenho a honra de a continuar, que me dão a sua generosidade e amizade, e aqueles que nunca conheci, mas que me deram, e dão, toda a sua vida Sócrates, Platão, Pitágoras, Camões, Descartes, Da Vinci, Kant, Darwin, Pessoa, Picasso, Churchill, Salgueiro Maia… em seis anos que estive nesta escola, nunca me senti de passagem, nunca me senti estranho, nunca me senti pequenino; nunca tive de berrar porque percebi que não é preciso gritar para nos fazermos ouvir e que a importância do que dizemos não se compara à importância do que fazemos; que a coerência é o mais íntegro dos valores e que o sentir da gente pequena é sempre respeitado. Aqui entrei menino para me fazer pessoa, para aprender a sentir e a agir, a ser cidadão e político. nesta escola entrei um barreirense pequenino e saí grande para todo o mundo. na Escola Secundária Alfredo da Silva sempre se falou verdade – na Escola Secundária Alfredo da Silva nunca se ouvirá dizer que é impossível mudar o mundo!


texto escrito para a comemoração dos 65 anos da Escola Secundária Alfredo da Silva

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

da série: "cartas famosas"


carta ao Tom

Rua Nascimento Silva, 107
Você ensinando prá Elizete
As canções de canção do amor de mais

Lembra que tempo feliz
Ai, que saudade...
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz

Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu

Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E, além disso, se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor

É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor
 
Vinicius de Moraes
carta do Tom

Rua Nascimento Silva, 107
Eu saio correndo do pivete
Tentando alcançar o elevador

Minha janela não passa de um quadrado
A gente só vê Sérgio Dourado
Onde antes se via o Redentor

É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com a natureza
É melhor lotear o nosso amor

António Carlos Jobim

terça-feira, 12 de julho de 2011

sobre o relativismo

Estou apreensivo. O relativismo reina por estes dias: já não existe o bonito ou o feio, o bom ou o mau, o certo ou o errado. É tudo relativo e os adjectivos já são quase desnecessários. “É diferente...” parece ser qualificação suficiente para quase tudo.
Não consigo ver as coisas assim e sinto-me apreensivo e inquieto. Há valores absolutos...tem de haver! Não pode haver relativizações nem duas perspectivas quanto à paz, ou quanto à protecção da dignidade humana! São valores absolutos, sempre! A paz será sempre preferível à guerra e nunca haverá nada que justifique a violação dos direitos e da dignidade de um qualquer ser humano!
É fácil relativizar a dor e o sofrimento de quem passa fome e de quem não tem dinheiro para pagar cuidados de saúde dignos. É fácil porque no fim de contas são só números - absolutos, relativos, percentagens - mas números. São 12% de desempregados, mais de 20% dos jovens recém-licenciados que não conseguem trabalho qualificado, 40% de idosos que são vítimas de maus tratos, 1/5 da população portuguesa que vive abaixo do limiar da pobreza, 2/5 que necessitam de subsídios sociais para conseguirem viver... Números e mais números. Tudo relativo.
Mas não há nada de relativo em passar fome. Não há nada de diferente em agonizar na solidão de um quarto bafiento, definhando e apodrecendo, imerso num monte de merda e sangue das vísceras da puta da velhice à espera que a morte venha e a humanidade espere às vezes anos para nos encontrar! Tudo isto é mau, absolutamente mau. Onde se encontra justificação para a alienação e para a indiferença? Como se tolera o sofrimento alheio?
O modelo social europeu nunca foi igual em todos os estados e sempre teve diferentes aplicações nacionais. Sempre foi um conceito abstracto, mas nunca foi relativo! Foi sempre absoluto na determinação de eliminar as desigualdades sociais e de eliminar o sofrimento que estas desigualdades provocam nas pessoas.
Hoje o modelo social europeu é relativo; é um modelo dependente. Depende de haver dinheiro para pagar subsídios, depende de os países terem os deficezinhos em ordem e as cotações do rating upa upa, depende da vontade de fantoches (paradoxal quanto baste) que presidem a comissões que de europeias têm pouco, depende, no mais fantástico de todos os “ses”, de mãos invisíveis que tudo regulam e tudo equilibram. Mas, hoje, as mãos já não são invisíveis e nada equilibram, os fantoches nada decidem, os ratings afinal são maus para a saúde económica (para a neo-liberal, pelo menos - qualquer coisa como murros no estômago) e os deficezinhos é que continuam a ter que estar absolutamente equilibradinhos.
E quando se começa diarrear sobre subsídio-dependência (neologismo demagógico relativamente conveniente) talvez não seja mau parar para pensar sobre o que está certo ou errado. Privatizar as águas (que interessam) é mau; abdicar de estatuto privilegiado em empresas energéticas e estratégicas nacionais está errado; privatizar os correios e os transportes está errado. E colocar a saúde na palma da mão invisível é bárbaro. Ou será que está certo? Diferente é seguramente e, em termos relativos, também deve ser bom... para os números!
Mas o que é verdadeiramente diferente é aquilo que a Europa (a que está “unida”) ainda não percebeu sobre os subsídios. Os subsídios atribuem-se aos números: são x milhares de euros para plantar x número de batatas ou x numero de hectares ou para produzir x número de toneladas de leite. Para as pessoas, as que não são apenas mais um número, procura-se dar conforto e dignidade. E a dignidade não tem preço! Absolutamente nenhum!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

sobre a Europa... sobre o futuro

a 4 de setembro de 1947, na Dinamarca, nasceu o Claus. o Claus, segundo consta, foi um bom aluno na área de economia e finanças e chegou, sem sombra de dúvida por reconhecido mérito, e indisputável autori(tarismo)dade, a ministro.
o Claus tem, por certo, memória familiar, um legado histórico que alguém se encarregou de lhe transmitir. conhece tão bem como os seus conterrâneos dinamarqueses e europeus, assim estou convicto, a distância que separava um europeu de outro; o longínquo e penoso caminho que separava um europeu de Portugal de um europeu da Dinamarca.
o Claus deve ter lido Remarque, assim espero, e se não leu saberá de outra maneira, seguramente, a desumanização a que a guerra obriga!
saberá, não posso crer em nada mais que não isto, que é mais difícil matar um Homem a quem já se viu a cor dos olhos ou a quem já se ouviu pronunciar o próprio nome do que aquele de quem nada se sabe.
o Claus quer fechar as fronteiras da Dinamarca, é essa a sua convicção(!); que o Claus não viveu na Europa nos últimos vinte anos é a minha! não pode ter vivido!
o Claus não assistiu à humanização da Europa; o Claus não sabe que de Portugal à Dinamarca se demora agora dez segundos, com imagem e tudo!
o Claus não sabe que para um europeu de Portugal nascido no dia de Natal de 1986, os europeus do resto da Europa têm nomes e já trocaram milhões de olhares entre si: é a Irene, a Jara, a Marta, a Helena, o Xavi, o Alfredo e o JuanMi; são a Amandine, a Mélanie e o JC; são a Cristina, o Nuno, o Giovanni, o Michele, e o Francesco; são muitos outros nomes e cores de olhos diversas.
o Claus não sabe que em 2012 serão mais de três milhões de europeus que saberão os nomes de outros europeus e que, tendo olhado nos seus olhos, serão incapazes de puxar qualquer gatilho ou incendiar qualquer rastilho!
o Claus não sabe que a Europa está humanizada e que bem à frente da Angela, do Nicolas, do Silvio e bem à frente de si próprio, estamos nós, europeus de toda a Europa, prontos para combater apenas por aquilo em que o Claus e a Angela e o Nicolas e o Silvio não acreditam:
uma Europa sem fronteiras, livre, unida e forte politicamente!
o que o Claus não sabe é que as fronteiras da Dinamarca voltarão a abrir e que ninguém se lembrará quem as fechou! para a história ficará Erasmus e aqueles que da sua sabedoria beneficiaram (em forma de livro ou em forma de programa europeu). e a história já se está a escrever e o Claus já ninguém sabe quem é!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

apontamento anti-bloguistico

- se eu soubesse falar todas as línguas do mundo era deus?
- como assim?
- deus não fala todas as línguas do mundo?
- fala, sim! fala todas as línguas do mundo para que todas as pessoas do mundo possam falar com ele.
- e mais alguém fala todas as línguas do mundo?
- não!
- então, se eu soubesse falar todas as línguas do mundo era deus, e todas as pessoas do mundo podiam falar comigo e eu podia falar com elas!
- e para que queres tu ser deus?
- eu não quero ser deus...
- então o que queres tu?
- quero ouvir o que todas as pessoas do mundo têm para me dizer...

(…)

- sabes uma coisa?
- acho que sim! talvez se fosses mais específica...
- deus não é deus!
- é nisso que tens andado a pensar?
- sim, suponho que sim. deus não é deus. deus fala todas as línguas do mundo e, seja qual for essa língua, deus sabe-a. mas deus só sabe, não compreende, não sente, não escuta verdadeiramente.

sobre coisas... outra vez...

tenho querido escrever, mas não sei bem sobre o quê. há coisas que me desassossegam, que me inquietam, mortificado fico. Erasmo, o de Roterdão, escreveu muito, sobre coisas, concretas, sérias, sobre a vida. elaborou uma compilação de provérbios e ditados populares, adagiorum collectanea, um de entre oitocentos, a guerra é doce para quem não a experimentou. Vegécio, o de Roma, cidade imperial, explicou e não confies demasiado se o soldado bisonho tem vivo desejo de combater, pois a luta é doce para os que não a experimentaram, mas, caso lhe acuda à memória, assusta desmedidamente quem quer que seja que a conheça.
preocupam-me os exércitos profissionais; que profissão têm então os soldados que não a de fazer a guerra? um sentimento de inquietude perturbante quando ouço um oficial da marinha americana dizer, off the record (ou seja, em dissonância com a posição oficial do governo), que se a industria militar dos estados unidos parasse ou fosse desmantelada, as consequências seriam catastróficas e toda a economia ruiria. assusta-me, sobretudo, por pessimismo, ou não, escutar o meu avô dizer que o factor de equilíbrio mundial, e europeu em particular, só virá com uma guerra.
aflige-me a luta no país basco, a liga do norte em Itália, a extrema direita na mittleuropa, os minaretes na suíça, o radicalismo (islâmico) em qualquer lado, as armas nucleares em todo o lado. apoquenta-me a intolerância, a incompreensão, a presunção, sobretudo a presunção. a presunção da falta de humildade, de quem se arroga o direito de dizer tudo sobre todos, de quem faz opiniões sem o mínimo rigor nas palavras que escolhe e utiliza, sem perceber que a palavra é uma arma, criada para ser inofensiva, tantas vezes subvertida para a infâmia e o perjúrio.
angustia-me o presente, o futuro que se apresenta. nada se aprendeu, os mesmos erros cometem-se vezes atrás de vezes. ignora-se Erasmo, o tal de Roterdão sendo a paz a melhor e a mais aprazível de todas as coisas, e a guerra, ao invés, não só a mais deplorável, como, ao mesmo tempo, a mais criminosa: acaso consideraremos que estão em seu perfeito juízo estes homens que, embora possam, com pequeno trabalho, alcançar a paz, preferem mesmo assim procurar a guerra através das maiores dificuldades?
como saber escrever outra coisa que não a angustia da destruição do homem contra o homem...?

domingo, 7 de fevereiro de 2010

état d'éprit


Daniel Barenboim - Beethoven - Piano Sonata #8 In C Minor, Op. 13, "Pathétique" - 1. Grave, Allegro Di Molto E Con Brio



Daniel Barenboim - Beethoven - Piano Sonata #8 In C Minor, Op. 13, "Pathétique" - 2. Adagio Cantabile



Daniel Barenboim - Beethoven - Piano Sonata #8 In C Minor, Op. 13, "Pathétique" - 3. Rondo: Allegro

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

motivo de orgulho

within the altar of the old village church there stands a white marble tablet, which bears as yet but one word: 'AGNES'. there is no coffin in that tomb; and may it be many, many years, before another name is placed above it! but, if the spirits of the Dead ever come back to earth, to visit spots hallowed by the love - the love beyond the grave - of those whom they knew in life, I believe that the shade of Agnes sometimes hovers round the solemn nook. I believe it none the less because the nook is in a Church, and she was weak and erring.

THE END

Charles Dickens, Oliver Twist

510 páginas depois, de um inglês vitoriano com várias expressões de calão, cheguei ao fim desta obra. sinto-me orgulhoso. acho que tenho motivos para isso...

sábado, 14 de novembro de 2009

I Beg your Pardon, Sir?!

sobre direitos humanos

Os ingleses, com a sua delicadeza congénita e com o seu politicamente correcto, educado e próprio de uma nação de cavalheiros e damas, têm esta expressão simpática de interpelação quando não compreenderam aquilo que foi dito, ou quando não julgam ter compreendido e querem demonstrar o quão confusos, e por vezes, ofendidos, se estão a sentir. Há algum tempo atrás, o Tribunal Constitucional foi obrigado a deliberar sobre a constitucionalidade do casamento entre duas mulheres. A sua decisão provocou-me esta reacção, "I beg your pardon, Sir?!". Não foi uma interpelação à totalidade de suas excelências, porque numa decisão tão importante como esta, uma maioria simples de 3 para 2 (porque nem sequer estavam presentes todos os juízes) é suficiente e não quero pôr em causa o trabalho de tão competente órgão judicial. Contudo não deixa de me causar estranheza, uma estranheza bem portuguesa, de mostarda no nariz, que em Portugal se continue a contrariar tão abertamente a Constituição portuguesa e que só agora se esteja a contemplar pôr termo a uma clara violação dos direitos humanos. Pior ainda, que o Tribunal Constitucional, "ao qual compete especificamente administrar a justiça em matérias de natureza jurídico-constitucional.", bem como o Código Civil contrariem tão abertamente a Constituição. No artigo 13º da Constituição, que ostenta a epígrafe Princípio da Igualdade, não se refere a possibilidade de haver casamento entre pessoas do mesmo sexo. Contudo, diz-se: "1) todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei. e 2) ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual."
Peço desculpa pelo meu rigor gramatical, mas quando se proibem duas pessoas do mesmo sexo de usufruírem de um direito que duas pessoas de sexos diferentes gozam, parece-me que o verbo a aplicar poderá ser o verbo prejudicar. Podia ser preconceito, mas preconceito não é um verbo!

Post Scriptum: Um dos argumentos que mais me tem convencido da parte dos opositores da rectificação desta violação dos direitos humanos é aquele que diz que há outras questões que merecem ser debatidas e que esta questão não é prioritária. Não podia estar mais de acordo. A essas pessoas digo sempre: “Têm toda a razão. Deixem lá isso e não se desgastem. Corrige-se a injustiça, altera-se a lei e não se fala mais nisso!”

artigo publicado no Jornal do Barreiro.

sobre direitos humanos

Signature
Amnistia Internacional / Amnesty International

Quando as palavras não são necessárias... e as imagens prendem um nó apertado na garganta...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

sobre o orgulho... em inglês vitoriano

but struggling with these better feelings was pride, - the vice of the lowest and most debased creatures no less than of the high and self-assured. the miserable companion of thieves and ruffians, the fallen outcast of low haunts, the associate of the scourings of the jails and hulks, living within the shadow of the gallows itself, - even this degraded being felt too proud to betray a feeble gleam of the womanly feeling which she thought a weakness, but which alone connected her with that humanity, of which her wasting life had obliterated so many, many traces when a very child.

Charles Dickens, Oliver Twist

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

sobre os amigos

este é um texto curto, mas de justiça devida. a Melhor Juventude sofreu alterações profundas de formatação e grafismo. o design está melhor, o título mais bonito, a realização de comentários mais fácil... todas estas alterações devem-se exclusivamente a uma pessoa... não que ele seja possessivo, mas o seu a seu dono.

Obrigado, Rafael!