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terça-feira, 4 de dezembro de 2012
sobre coisas que é preciso entender
The Shock Doctrine - um documentário realizado por Mat Whitecross e Michael Winterbottom, com base na obra homónima de Naomi Klein.
quinta-feira, 8 de março de 2012
não resolve tudo
ou até pode nem resolver nada; mas nunca ninguém consegue resolver tudo, não é?
Kony 2012 - Invisible Children
KONY 2012 from INVISIBLE CHILDREN on Vimeo.KONY 2012 is a film and campaign by Invisible Children that aims to make Joseph Kony famous, not to celebrate him, but to raise support for his arrest and set a precedent for international justice.
HOW TO HELP:Visit: http://kony2012.comDonate to Invisible Children: https://www.stayclassy.org/checkout/set-donation?eid=14711For info on Invisible Children: http://invisiblechildren.com
DIRECTOR: Jason Russell LEAD EDITOR: Kathryn Lang EDITORS: Kevin Trout, Jay Salbert, Jesse Eslinger LEAD ANIMATOR: Chad Clendinen ANIMATOR: Jesse Eslinger 3-D MODELING: Victor Soto VISUAL EFFECTS: Chris Hop WRITERS: Jason Russell, Jedidiah Jenkins, Kathryn Lang, Danica Russell, Ben Keesey, Azy Groth PRODUCERS: Kimmy Vandivort, Heather Longerbeam, Chad Clendinen, Noelle Jouglet ORIGINAL SCORES: Joel P. West SOUND MIX: Stephen Grubbs, Mark Friedgen, Smart Post Sound COLOR: Damian Pelphrey, Company 3 CINEMATOGRAPHY: Jason Russell, Bobby Bailey, Laren Poole, Gavin Kelly, Chad Clendinen, Kevin Trout, Jay Salbert, Shannon Lynch PRODUCTION ASSISTANT: Jaime Landsverk LEAD DESIGNER: Tyler Fordham DESIGNERS: Chadwick Gantes, Stephen Witmer
MUSIC CREDIT:
Original Instrumental Scores by Joel P. West http://www.joelpwest.com/
“02 Ghosts I” Performed by Nine Inch Nails, Written by Atticus Ross and Trent Reznor, Produced by Alan Moulder, Atticus Ross, and Trent Reznor, Nine Inch Nails appear courtesy of The Null Corporation
“Punching in a Dream”, Performed by The Naked and Famous, Written by Aaron Short, Alisa Xayalith, and Thom Powers, Produced by Thom Powers, The Naked and Famous appear courtesy of Somewhat Damaged and Universal Republic
“Arrival of the Birds”, Performed by The Cinematic Orchestra, Written by The Cinematic Orchestra, Produced by The Cinematic Orchestra, The Cinematic Orchestra appears courtesy of Disney Records
“Roll Away Your Stone”, Performed by Mumford and Sons, Written by Benjamin Lovett, Edward Dwane, Marcus Mumford, and Winston Marshall, Produced by Markus Dravs, Mumford and Sons appear courtesy of Glassnote Entertainment Group LLC
“On (Instrumental)”, Performed by Bloc PartyWritten by Bloc Party, Produced by Jacknife Lee, Bloc Party appears courtesy of Vice Records
“A Dream within a Dream”, Performed by The Glitch Mob, The Glitch Mob appears courtesy of Glass Air
“I Can’t Stop”, Performed by Flux Pavilion, Flux Pavilion appears courtesy of Circus Records Limited
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
sobre democracia, liberdade e protesto
O assalto à Democracia
Temos de aceitar tudo o que nos é imposto com fatalista resignação? A violência das obrigações imputadas autoriza-nos a reagir com semelhante atitude, exactamente porque o que poderá ser legal perdeu a legitimidade por excesso e atropelo. Ninguém sabe o que nos espera no final desta longa e penosa travessia: nem mesmo aqueles que para ela nos impeliram. Temos de reflectir nas actividades políticas de um Governo que não parece muito animado em aspirações sociais e em equilíbrios éticos. Um Governo declaradamente inclinado em nos empobrecer, em estancar qualquer manifestação de cidadania e pouco preocupado em sacrificar legiões de desempregados e de excluídos. A justiça económica da livre troca é uma monstruosa falácia. Todos os dias sofremos ou temos conhecimento dessa fraude ideológica, mas não conseguimos mobilizar as forças da nossa inteligência e o domínio da nossa razão a fim de enfrentar o embuste que nos desgraça.
O poder perdeu (se alguma vez os teve) o pudor e a respeitabilidade. O exemplo recente das nomeações para a EDP tem o carimbo da coligação; mas, antes, o PS procedeu de igual ou pior forma. Eis a ressurreição do rotativismo do séc. XIX. Não há meio de alterar este pêndulo. O assunto da deslocação de Alexandre Soares dos Santos para a Holanda, reprovável no que comporta de moralmente indigno, define o tratado de hipocrisia dos que desencadearam a "polémica". Então, e os antecessores do processo?, são anjos imaculados ou pertencem todos a uma hagiografia de tratantes? Os mesmos preopinantes que, nos jornais, em bravas elucubrações, esgarçam o projecto socialista e, por antinomia, constituem-se como indefectíveis paladinos do capitalismo, viram-se, agora, contra quê?
O sistema que os procriou é aquele que colonizou as mentes e favorece quem o protege e preserva. Passem os olhos pelos rostos dos que dominam o Governo, mas não mandam no País. Assustam. As ordens procedem de fora. E as rodas dentadas da grande engrenagem movem-se através dessas cumplicidades ocultas. Lenta mas perseverantemente foram roubando o nosso já de si tão ausente protagonismo. Deixámos, há muito, de decidir o nosso destino; mas, pelo menos, possuíamos uma noção de presente, por obscuro que fosse. A marcha de José Mário Branco: "Qual é a tua, ó meu / andares a dizer / quem manda aqui sou eu?" - é o apogeu simbólico e trágico da nossa derrota. Andámos quase sempre enganados; no entanto, talvez aprendêssemos que podíamos ser livres no opróbrio. O regresso ao passado talvez forme novos resistentes.
O Governo a nada acede; não se trata de ceder, sim de aceder. E desrespeita a concertação social, simplesmente ignorando-a, e insultando os sindicatos com a soberba da omissão. Não restam dúvidas de que o assalto à democracia está em andamento acelerado.
Baptista Bastos, Diário de Notícias
(Última) Crónica de Pedro Rosa Mendes
Este Tempo - Pedro Rosa Mendes by melhorjuventude
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
sobre a inteligência
gostava que, no meu tempo de vida, houvesse alguém que crescesse para se tornar nisto. não me importa se é homem, mulher, preto, branco, amarelo ou vermelho. mas crescei e sede assim.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
coisas que merecem destaque I
Geração André
25 de Dezembro. Foi o último dia do André na redacção. Sentou-se à mesa, no bar, como se fosse ficar ali para sempre. Como se aquela fosse a sua casa. Como se a dedicação e o brilhantismo de seis meses de estágio fossem suficientes para garantir um lugar entre nós.
O André foi o melhor estagiário que passou por aquela redacção desde que cheguei. O André trabalhou dia e noite, fez sábados, domingos e feriados. Dispensou folgas, esqueceu horários, correu, transpirou, apanhou chuva, frio e voltou sempre com aquele sorriso de quem ama o jornalismo. O André fez reportagens brilhantes: entrevistou ministros, pescadores, sem-abrigo, artistas de circo, sempre com o mesmo rigor, a mesma dedicação, o mesmo profissionalismo. O André aprendeu a editar, a legendar, a sonorizar e a escrever como poucos. O André será um grande jornalista deste país, se o país deixar. O André foi-se embora no dia de Natal, depois de mais uma jornada de intenso trabalho na redacção. Acabou o estágio.
A crise. A crise. A “crise diz” que não há espaço para o André numa empresa com nove milhões de lucro. O André não é bom. O André é muito bom. Mas ser muito bom não chega num país liderado por medíocres. E é este o drama da geração do André. Esqueçam esse eufemismo da “geração à rasca”. Esta é a geração sem futuro num país liderado por uma geração parida pelas “vacas gordas” do cavaquismo à qual o guterrismo deu de mamar. É esta, sim. É esta a geração que mostrou o rabo indignada contra o aumento de meia-dúzia de tostões nas propinas. Tão rebeldes que eles eram.
Chegou ao poder a geração do “baixa as calças”, a geração jota. É a mesma coisa. Quando não havia emprego, sobrava o partido. Quando não havia partido, sobrava o amigo do partido, ou uma sociedade de advogados. E foi andando assim, nos anos loucos do Portugal do “Progresso” de Cavaco Silva, ou no país da “Razão e Coração” de Guterres. Foi-se o Progresso, ficou o monstro do Estado cheio de parasitas. Faltou a razão e o coração começou a vacilar. Já instalada nos corredores do poder, a geração habituada a baixar as calças, indignada claro, calou-se e deixou-se embalar. O poder… O poder ali tão perto.
Hoje, é a geração que cresceu no tempo das “vacas-gordas” que vem falar de flexibilização laboral. Que fale. Que avance para a reforma do mercado de trabalho, sem medo, mas que entenda que isso só faz sentido se for para proteger os “Andrés” deste país. O problema é que a geração do poder, habituada a baixar as calças, fala pelos livros: leu por aí qualquer coisa sobre isso. Sopraram-lhe.
É disso que os abutres gostam: de quem baixa as calças e não sabe muito bem do que fala. É aqui que mora o perigo.
A reforma da legislação laboral deve ser feita em nome dos miúdos como o André e não para desafogar empresas que em dez anos acumularam mais de 500 milhões de lucro. O ponto de honra tem de ser outro: valorizar o mérito e conceder oportunidade a quem mostra que tem valor. Dói? Vai doer a alguém, claro. Vai doer a quem está há anos encostado, por preguiça, a fazer os serviços mínimos na empresa, a quem não acrescenta valor, a quem não veste a camisola, nem está disposto a inovar e a tentar fazer diferente todos os dias. A esses vai doer. Que doa!
Essa reforma deve ser feita tendo por base a ideia de que um estagiário como o André, brilhante, depois de seis meses a pagar para trabalhar, não pode não ser absorvido por uma empresa que dá nove milhões de lucro. Não pode. Doa a quem doer. Se para isso é preciso flexibilizar o despedimento do medíocre, do preguiçoso, do incompetente, vamos a isso. Um país que desperdiça a geração do André é um país condenado. Estes miúdos já não exigem um emprego para a vida. Querem apenas uma oportunidade.
Bem, deixemo-nos de utopias. Quando o poder é financeiro e os líderes medíocres, já toda a gente percebeu onde é que isto vai parar. Os deputados que alteram a Lei trabalham nas sociedades de advogados que prestam serviços às empresas interessadas em despedir. Está tudo dito. Um pouco como o contrato da barragem do Tua. O ministério do Ambiente tutela parte do processo e o contrato de concessão com a EDP, que pressupõe uma indemnização de quase 100 milhões de euros em caso de quebra, tem sido seguido pela antiga firma de advogados da ministra.
Deixemo-nos de utopias, de facto. Esta será mais uma reforma perdida para a maioria. O André continuará a enviar currículos. As empresas vão aproveitar a crise e a Lei. Um dia, o André acordará cansado e sem forma de continuar a trabalhar de borla em nome do sonho. Ou emigra, ou acaba na caixa do hipermercado para pagar a renda da casa que partilha com os amigos. “Não há drama”, grita a geração do poder. Pois não. Nem futuro.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
se eu fosse caricaturista...
... e a polícia me tivesse partido os dedos também gostava de os ter no sítio para poder fazer isto!
retirado daqui.
retirado daqui.
terça-feira, 12 de julho de 2011
sobre o relativismo
Estou apreensivo. O relativismo reina por estes dias: já não existe o bonito ou o feio, o bom ou o mau, o certo ou o errado. É tudo relativo e os adjectivos já são quase desnecessários. “É diferente...” parece ser qualificação suficiente para quase tudo.
Não consigo ver as coisas assim e sinto-me apreensivo e inquieto. Há valores absolutos...tem de haver! Não pode haver relativizações nem duas perspectivas quanto à paz, ou quanto à protecção da dignidade humana! São valores absolutos, sempre! A paz será sempre preferível à guerra e nunca haverá nada que justifique a violação dos direitos e da dignidade de um qualquer ser humano!
É fácil relativizar a dor e o sofrimento de quem passa fome e de quem não tem dinheiro para pagar cuidados de saúde dignos. É fácil porque no fim de contas são só números - absolutos, relativos, percentagens - mas números. São 12% de desempregados, mais de 20% dos jovens recém-licenciados que não conseguem trabalho qualificado, 40% de idosos que são vítimas de maus tratos, 1/5 da população portuguesa que vive abaixo do limiar da pobreza, 2/5 que necessitam de subsídios sociais para conseguirem viver... Números e mais números. Tudo relativo.
Mas não há nada de relativo em passar fome. Não há nada de diferente em agonizar na solidão de um quarto bafiento, definhando e apodrecendo, imerso num monte de merda e sangue das vísceras da puta da velhice à espera que a morte venha e a humanidade espere às vezes anos para nos encontrar! Tudo isto é mau, absolutamente mau. Onde se encontra justificação para a alienação e para a indiferença? Como se tolera o sofrimento alheio?
O modelo social europeu nunca foi igual em todos os estados e sempre teve diferentes aplicações nacionais. Sempre foi um conceito abstracto, mas nunca foi relativo! Foi sempre absoluto na determinação de eliminar as desigualdades sociais e de eliminar o sofrimento que estas desigualdades provocam nas pessoas.
Hoje o modelo social europeu é relativo; é um modelo dependente. Depende de haver dinheiro para pagar subsídios, depende de os países terem os deficezinhos em ordem e as cotações do rating upa upa, depende da vontade de fantoches (paradoxal quanto baste) que presidem a comissões que de europeias têm pouco, depende, no mais fantástico de todos os “ses”, de mãos invisíveis que tudo regulam e tudo equilibram. Mas, hoje, as mãos já não são invisíveis e nada equilibram, os fantoches nada decidem, os ratings afinal são maus para a saúde económica (para a neo-liberal, pelo menos - qualquer coisa como murros no estômago) e os deficezinhos é que continuam a ter que estar absolutamente equilibradinhos.
E quando se começa diarrear sobre subsídio-dependência (neologismo demagógico relativamente conveniente) talvez não seja mau parar para pensar sobre o que está certo ou errado. Privatizar as águas (que interessam) é mau; abdicar de estatuto privilegiado em empresas energéticas e estratégicas nacionais está errado; privatizar os correios e os transportes está errado. E colocar a saúde na palma da mão invisível é bárbaro. Ou será que está certo? Diferente é seguramente e, em termos relativos, também deve ser bom... para os números!
Mas o que é verdadeiramente diferente é aquilo que a Europa (a que está “unida”) ainda não percebeu sobre os subsídios. Os subsídios atribuem-se aos números: são x milhares de euros para plantar x número de batatas ou x numero de hectares ou para produzir x número de toneladas de leite. Para as pessoas, as que não são apenas mais um número, procura-se dar conforto e dignidade. E a dignidade não tem preço! Absolutamente nenhum!
sexta-feira, 13 de maio de 2011
sobre a Europa... sobre o futuro
a 4 de setembro de 1947, na Dinamarca, nasceu o Claus. o Claus, segundo consta, foi um bom aluno na área de economia e finanças e chegou, sem sombra de dúvida por reconhecido mérito, e indisputável autori(tarismo)dade, a ministro.
o Claus tem, por certo, memória familiar, um legado histórico que alguém se encarregou de lhe transmitir. conhece tão bem como os seus conterrâneos dinamarqueses e europeus, assim estou convicto, a distância que separava um europeu de outro; o longínquo e penoso caminho que separava um europeu de Portugal de um europeu da Dinamarca.
o Claus deve ter lido Remarque, assim espero, e se não leu saberá de outra maneira, seguramente, a desumanização a que a guerra obriga!
saberá, não posso crer em nada mais que não isto, que é mais difícil matar um Homem a quem já se viu a cor dos olhos ou a quem já se ouviu pronunciar o próprio nome do que aquele de quem nada se sabe.
o Claus quer fechar as fronteiras da Dinamarca, é essa a sua convicção(!); que o Claus não viveu na Europa nos últimos vinte anos é a minha! não pode ter vivido!
o Claus não assistiu à humanização da Europa; o Claus não sabe que de Portugal à Dinamarca se demora agora dez segundos, com imagem e tudo!
o Claus não sabe que para um europeu de Portugal nascido no dia de Natal de 1986, os europeus do resto da Europa têm nomes e já trocaram milhões de olhares entre si: é a Irene, a Jara, a Marta, a Helena, o Xavi, o Alfredo e o JuanMi; são a Amandine, a Mélanie e o JC; são a Cristina, o Nuno, o Giovanni, o Michele, e o Francesco; são muitos outros nomes e cores de olhos diversas.
o Claus não sabe que em 2012 serão mais de três milhões de europeus que saberão os nomes de outros europeus e que, tendo olhado nos seus olhos, serão incapazes de puxar qualquer gatilho ou incendiar qualquer rastilho!
o Claus não sabe que a Europa está humanizada e que bem à frente da Angela, do Nicolas, do Silvio e bem à frente de si próprio, estamos nós, europeus de toda a Europa, prontos para combater apenas por aquilo em que o Claus e a Angela e o Nicolas e o Silvio não acreditam:
uma Europa sem fronteiras, livre, unida e forte politicamente!
o que o Claus não sabe é que as fronteiras da Dinamarca voltarão a abrir e que ninguém se lembrará quem as fechou! para a história ficará Erasmus e aqueles que da sua sabedoria beneficiaram (em forma de livro ou em forma de programa europeu). e a história já se está a escrever e o Claus já ninguém sabe quem é!
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
em 1516-1517
ora, se nos negócios dos mortais existe algo que convenha empreender com cautela, ou melhor, que por todas as vias seja necessário fugir, afastar e repelir, sem dúvida que tal coisa é a guerra, que é o que há de mais ímpio, mais calamitoso, mais largamente pernicioso, ou que se aferra mais tenazmente, ou mais abominável ou mais inteiramente indigno do homem (…).
Desidério Erasmo (de Roterdão), Dulce Bellum Inexpertis (A Guerra)
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
motivo de orgulho
within the altar of the old village church there stands a white marble tablet, which bears as yet but one word: 'AGNES'. there is no coffin in that tomb; and may it be many, many years, before another name is placed above it! but, if the spirits of the Dead ever come back to earth, to visit spots hallowed by the love - the love beyond the grave - of those whom they knew in life, I believe that the shade of Agnes sometimes hovers round the solemn nook. I believe it none the less because the nook is in a Church, and she was weak and erring.
THE END
510 páginas depois, de um inglês vitoriano com várias expressões de calão, cheguei ao fim desta obra. sinto-me orgulhoso. acho que tenho motivos para isso...
Charles Dickens, Oliver Twist
510 páginas depois, de um inglês vitoriano com várias expressões de calão, cheguei ao fim desta obra. sinto-me orgulhoso. acho que tenho motivos para isso...
sábado, 14 de novembro de 2009
I Beg your Pardon, Sir?!
sobre direitos humanos
Os ingleses, com a sua delicadeza congénita e com o seu politicamente correcto, educado e próprio de uma nação de cavalheiros e damas, têm esta expressão simpática de interpelação quando não compreenderam aquilo que foi dito, ou quando não julgam ter compreendido e querem demonstrar o quão confusos, e por vezes, ofendidos, se estão a sentir. Há algum tempo atrás, o Tribunal Constitucional foi obrigado a deliberar sobre a constitucionalidade do casamento entre duas mulheres. A sua decisão provocou-me esta reacção, "I beg your pardon, Sir?!". Não foi uma interpelação à totalidade de suas excelências, porque numa decisão tão importante como esta, uma maioria simples de 3 para 2 (porque nem sequer estavam presentes todos os juízes) é suficiente e não quero pôr em causa o trabalho de tão competente órgão judicial. Contudo não deixa de me causar estranheza, uma estranheza bem portuguesa, de mostarda no nariz, que em Portugal se continue a contrariar tão abertamente a Constituição portuguesa e que só agora se esteja a contemplar pôr termo a uma clara violação dos direitos humanos. Pior ainda, que o Tribunal Constitucional, "ao qual compete especificamente administrar a justiça em matérias de natureza jurídico-constitucional.", bem como o Código Civil contrariem tão abertamente a Constituição. No artigo 13º da Constituição, que ostenta a epígrafe Princípio da Igualdade, não se refere a possibilidade de haver casamento entre pessoas do mesmo sexo. Contudo, diz-se: "1) todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei. e 2) ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual."
Peço desculpa pelo meu rigor gramatical, mas quando se proibem duas pessoas do mesmo sexo de usufruírem de um direito que duas pessoas de sexos diferentes gozam, parece-me que o verbo a aplicar poderá ser o verbo prejudicar. Podia ser preconceito, mas preconceito não é um verbo!
Post Scriptum: Um dos argumentos que mais me tem convencido da parte dos opositores da rectificação desta violação dos direitos humanos é aquele que diz que há outras questões que merecem ser debatidas e que esta questão não é prioritária. Não podia estar mais de acordo. A essas pessoas digo sempre: “Têm toda a razão. Deixem lá isso e não se desgastem. Corrige-se a injustiça, altera-se a lei e não se fala mais nisso!”
artigo publicado no Jornal do Barreiro.
sobre direitos humanos
Signature
Amnistia Internacional / Amnesty International
Amnistia Internacional / Amnesty International
Quando as palavras não são necessárias... e as imagens prendem um nó apertado na garganta...
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